Ambição demais, gestão de menos

A antecipação da disputa eleitoral no Brasil continua causando danos à sociedade. Não pelo debate político ou pelas discussões sobre as trajetórias dos que se colocam nesta corrida antecipada. Mas, sim, pelo fato dos que têm mandato terem deixado para segundo plano as providências que deveriam ter tomado diante do quadro de pandemia enfrentado pelo País.


Destaco, aqui neste espaço, o exemplo dos prejuízos à educação de toda uma geração, que poderia ter sido minimizado, caso o Governo do Estado de São Paulo tivesse dado continuidade ao programa de ampliação do ensino superior a distância, que o ex-governador Márcio França deu início no curto período de oito meses que ficou no cargo.


Márcio França pegou a Universidade Virtual do Estado de São Paulo, a Univesp, com cerca de 3 mil alunos e deixou o Governo de São Paulo com perto de 50 mil vagas de ensino superior gratuito a distância. Aulas gravadas por renomados professores da USP, Unicamp e Unesp foram oferecidas a estudantes de várias regiões do Estado.


Jovens que jamais sonharam fazer uma faculdade no padrão da USP, por exemplo, por morarem em cidades a 500, 600, quilômetros da Cidade de São Paulo, e não terem meios de pagar moradia e alimentação fora de casa, puderam contar com este ensino qualificado, pago pelo contribuinte, mas ainda ofertado a uma reduzida parcela da população.


Esta prática do gestor que chega para desmontar ou reduzir os projetos do gestor que sai ainda é um câncer da política brasileira. Tivesse tido continuidade este projeto, como sonhava Márcio França, os alunos de todo o Estado de São Paulo, e também do Brasil, poderiam ter a opção de cursar a distância uma universidade pública gratuita mesmo durante a pandemia.


Este era o sonho do ex-governador, que pretendia abrir o sinal de internet das aulas da Univesp para todo o País. É possível imaginar o ganho da população se esta prática fosse então estendida ao ensino médio e até ao fundamental? Claro que esta não é uma tarefa fácil, como não foi fazer a Univesp, à época, saltar de 3 mil para 50 mil vagas.


Mas a falta de desprendimento e visão que causaram esta descontinuidade – para dar apenas um exemplo – impediram que a extensão do programa pudesse beneficiar até alunos de outros estados brasileiros, chegando, inclusive, aos níveis mais básicos de educação. Revelou, também, um erro político estratégico para quem alimenta tantas ambições.




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