Contra as demissões

Em plena pandemia do novo coronavírus, somos também atingidos por ameaças de demissões. A da Usiminas, que pretende cortar 900 empregos na siderúrgica de Cubatão. E agora o risco da Petrobras desativar gradualmente suas atividades na nossa Região, o que diminuiria a receita, os investimentos e ainda colocaria em risco pelo menos 1.000 postos de trabalho, conforme alertou o Jornal A Tribuna.


A Usiminas ainda não recuou das demissões, mesmo tendo a possibilidade de usar a Medida Provisória 936, que permite a redução de salários para manter os empregos enquanto durar a pandemia.


Apoiei o Sindicato dos Metalúrgicos na sua ação, que conseguiu uma liminar da Justiça do Trabalho suspendendo as demissões. Mas a ameaça persiste, uma vez que a Usiminas já afirmou que vai recorrer.


A juíza do Trabalho Adalgisa Lins Dornelas, da segunda Vara do Trabalho de Cubatão, determinou o início das negociações e ressaltou a importância de uma postura flexível, por parte da Usiminas, considerando o desempenho financeiro e o lucro obtido nos últimos balanços da siderúrgica.


Vamos ter uma reunião esta semana para tratar do assunto, com a participação do Ministério Público do Trabalho e do Sindicato dos Metalúrgicos. Não vamos desistir do caminho da negociação na defesa de postos de trabalho e da economia da nossa região. Salvar empregos também é salvar vidas.


Agora, a Petrobras anunciou que vai transferir, a partir de 1º de junho, 937 trabalhadores de 7 plataformas de exploração e produção de petróleo e gás natural, de Santos para o Rio de Janeiro.


Antes, estes trabalhadores, moradores da região, se dirigiam até o Aeroporto de Itanhaém de onde voavam para as plataformas na Bacia de Santos, no Oceano Atlântico. Hoje, são obrigados a ir até Jacarepaguá, no Rio de Janeiro e, de lá, voar de volta para a mesma plataforma, situada em linha reta defronte a Itanhaém.


Como se isso não bastasse, a Petrobras vai cortar o serviço de transporte até o Rio de Janeiro, obrigando-os a pagar pela viagem. Ou seja, um movimento que os obriga a mudar para o Rio ou a desistir do emprego.


Assim, gradualmente, a empresa sinaliza que pretende abandonar suas atividades em São Paulo, causando mais desemprego na Baixada, o fim de investimentos importantes e queda nas receitas municipais e estaduais.


Esta mudança para o Rio pode vir a desativar um edifício administrativo no Centro de Santos, com perda de mais cerca de 1.000 postos de trabalho, incluindo prestadores de serviço, o comércio e afetando o projeto de revitalização do Bairro do Valongo.


Apelei ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e ao ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, para tentar evitar estas duas ameaças que podem ceifar, no mínimo, 2 mil empregos na Baixada Santista. Em ofícios enviados nesta sexta-feira, alertei que o impacto na região seria grande.


Isso acontece justamente agora, quando grandes empresas fazem doações e outros gestos de parcerias solidárias. Trata-se, portanto, de se ter um olhar para as pessoas e não somente para os números.


A Baixada Santista abriga a Refinaria da Petrobras e, além das vantagens desta importante presença, arcou também com os problemas causados pela empresa, como a tragédia da Vila São José, em Cubatão, quando morreram carbonizadas oficialmente 93 pessoas, dia 24 de fevereiro de 1984.


A Baixada também se beneficiou das vantagens da siderúrgica e sofreu com problemas como acidentes, a questão da leucopenia, a emissão de material particulado na atmosfera, entre outros, quando o controle ambiental ainda era incipiente. Neste contexto entendo que as duas empresas precisam reconsiderar as decisões e atentar aos aspectos humanos envolvidos.




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