Em defesa da produção e da vida

Em recente conversa com sindicalistas e um executivo do setor químico brasileiro, fui alertada sobre um problema que está diretamente ligado aos efeitos fatais da pandemia da Covid-19 em nosso País. Ou seja, à possibilidade de que poderíamos ter tido a chance de evitar tantas mortes fabricando a nossa própria vacina.


André Passos Cordeiro, da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), informou que o desaparelhamento de setores industriais essenciais, como o farmacêutico, por exemplo, gerou problemas graves, como a incapacidade de produção, no Brasil, do IFA, o insumo para a fabricação da vacina contra a Covid-19.


Isso quer dizer que, sim, poderíamos já ter tecnologia, equipamentos e também profissionais capacitados e treinados para fabricar nossa própria vacina e não apenas envasar o insumo (que é, de fato, a vacina) que chega da China ou de outros países que não tiveram este setor estratégico desestimulado por falta de uma política industrial.


Um parque industrial saudável, apoiado por universidades e centros de pesquisa e inovação, reflete diretamente na qualidade de vida da população. E isso se consegue com gestões sucessivas que pratiquem políticas de Estado, e não apenas de governo. Ou seja, é preciso um olhar constante para o futuro daqueles que governam o presente.


A falta de uma política de apoio ao setor produtivo industrial pode ter consequências dramáticas no desenvolvimento do País.


Por isso, estou propondo uma agenda pró-recuperação da indústria no Brasil, afetada pela crise da pandemia, como forma de retomar a geração de empregos e evitar a extinção de elos importantes da cadeia produtiva.


Mantive reunião com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Química da Região do ABCD, que reúne os empregados de 10% do setor no Brasil, sendo que o Estado de São Paulo responde por 47% do segmento nacional.


Os sindicalistas disseram que se nada for feito, agora, perderemos ainda mais empregos nos próximos meses e colocaremos em risco de sucateamento importantes setores produtivos nacionais.


O setor químico, por exemplo, perderá o Regime Especial da Indústria Química, o REIQ, que desonera alíquotas do PIS e Cofins na compra de matérias-primas básicas. Conseguimos, no Congresso, que a perda deste incentivo não fosse efetuada de uma só vez, de forma que seja substituído por uma política de reestruturação do setor.


Eles me informaram que o fim deste incentivo ameaça muitos empregos na indústria química brasileira, além da retração do Produto Interno Bruto do País e de uma perda na arrecadação, pelo Governo, da ordem de R$ 3 bilhões/ano.


Este problema surge num momento em que nunca o País precisou tanto da indústria química para a fabricação de medicamentos, insumos, produtos de higiene pessoal, entre outros, que são essenciais no combate e prevenção à Covid-19.


Daí a necessidade de envolver o Congresso e o Governo na criação desta agenda. Ficou claro que é preciso instituir e praticar uma política industrial no Brasil. Caso contrário, perderemos competitividade, obrigando-nos a importar insumos e bens, gerando empregos em outros países e ceifando postos de trabalho em território nacional.




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