O mundo real e as bolhas

Fui recentemente visitar o aposentado Gilberto Alves, de 63 anos, morador da Esplanada dos Barreiros, em São Vicente. Conheci o seu Gilberto respondendo comentários no Facebook, onde tenho mais de 200 mil seguidores.


Eu falava com seu Gilberto há um bom tempo pelas redes socais. Ele chamou a minha atenção pela lucidez e a maneira de se indignar com a situação do País e a política em geral. Ao longo dos últimos meses, concordamos e discordamos muitas vezes, sem nunca perder o respeito e o direito de cada um manifestar suas opiniões.


Um cidadão atento, crítico, mas sempre muito educado e que sabe me incentivar quando acha que estou certa e que me alerta quando acha que preciso melhorar.


Conto esta história para lembrar que as pessoas que atuam na política e na vida pública em geral não podem perder o contato direto com a população.


Isso porque corremos o risco de ficar restritos apenas à chamada bolha em que vivem aqueles que trabalham com informação, com política, com economia.


Esta bolha caracterizada pelo consumo intenso de notícias, de informações, pode, sim, nos levar a uma compreensão compartimentada da realidade. Pode nos dar a sensação de que o mundo caminha e as coisas acontecem dentro desta percepção segmentada do cotidiano.


O mundo dos comentaristas políticos, dos analistas econômicos, dos que vivem nos gabinetes do Executivo e nos parlamentos é, sim, uma parte da realidade, representa, sim, um importante aspecto da sociedade.


Mas também não representa toda a realidade, todo o sentimento da população, todo o cenário em que vive a sociedade.


E importante ter uma visão crítica das bolhas a que estamos sujeitos, de acordo com as nossas atividades. A política também é vítima desta visão compartimentada e do conteúdo predominante no noticiário.


Os critérios básicos de notícia são o conflito, a polêmica, o impacto, o ineditismo. É como, entre jornalistas, dizemos que notícia é quando o homem morde o cachorro, e não o contrário.


As ruas têm nos mostrado que a grande maioria dos brasileiros não vive esta agenda imposta pelos fatos políticos. As pessoas estão lutando por empregos ou para se manterem neles. Precisam levar comida para casa, para que os filhos estudem e sobrevivam.


Não raro os que vivem na bolha se surpreendem com os resultados das pesquisas e das urnas quando elas apontam, na opinião pública, realidades diversas da sensação produzida pelo noticiário. Não que as notícias estejam erradas. As notícias são as notícias. Mas a vida, também, é a vida.


Precisamos ficar atentos para não vivermos em uma agenda formada a partir de visões únicas da realidade. O País precisa de um pouco de paz para poder retomar a economia, criar novos empregos, para que as pessoas tomem suas vacinas e sigam em frente.


O Congresso e a classe política precisam produzir leis e medidas mais conectadas com as necessidades da população, cuja grande maioria não é filiada a partidos políticos e busca, simplesmente, viver suas vidas com dignidade.


Para isso, faço questão de ouvir o Gilberto, a Leonor, o Ricardo, a Maria Cristina, o Alziro... e todas as pessoas que me seguem e me ajudam a manter os pés no chão nesse mundo louco da política.




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