O petróleo não é mais nosso

Não dá mais para tolerar a gasolina a quase R$ 7,00 e o gás de cozinha a R$ 120,00. Estamos vivendo um descalabro de aumentos sucessivos dos combustíveis. São oito semanas seguidas de reajustes, culminando agora com mais um aumento do diesel, que acumula, desde janeiro, 51% de alta, com reflexos dramáticos no custo de vida da população e na rotina dos que trabalham com transporte.


Fizemos enorme pressão na Câmara dos Deputados, levando o problema ao Colégio de Líderes e pedimos um desconto no preço do gás de cozinha para famílias de baixa renda. A Câmara acabou aprovando um projeto de lei que cria o auxílio chamado Gás Social, mas o valor da ajuda e mais detalhes ainda precisam ser aprovados no Senado e ir à sanção presidencial.


A Petrobrás justifica sua condição de empresa que opera no mercado internacional para promover os reajustes, de forma a garantir sua posição de player no mercado financeiro e de exportadora de combustível.


E tem dado certo a estratégia da Petrobrás. Mas só para ela mesmo, claro, que obteve um lucro, em 90 dias, de R$ 43 bilhões, pagando dividendos atraentes aos acionistas. Vale ressaltar que 40% dos acionistas são estrangeiros.


Assim, a empresa criada sob o slogan de “O Petróleo é Nosso”, se mantém firme com o monopólio do petróleo no Brasil, promovendo reajustes mesmo em tempos de perdas enormes e desemprego da população por conta da pandemia.


Este castigo cruel imposto à grande maioria dos brasileiros nos faz crer que o petróleo, com certeza, não é mais nosso há muito tempo, mas sim daqueles que operam no mercado financeiro e da própria Petrobrás, que navega impávida em águas internacionais.


Nem mesmo a descoberta do pré-sal, alardeada como a panaceia para todos os males do Brasil, trouxe qualquer benefício para os brasileiros, assombrados, a cada semana, por aumentos dos combustíveis.


Está na hora de o Congresso Nacional refletir este sentimento dos brasileiros e buscar um debate sério, consciente, que resulte em adequações na política de preços da Petrobrás, que não pode submeter uma Nação inteira sob a justificativa de se manter competitiva no mercado internacional. Não adiantam apenas medidas paliativas, que utilizam recursos públicos ao invés de lucros da Petrobrás.




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