Operadores de mergulho temem fim do turismo na Laje de Santos

O turismo no Parque Estadual Marinho da Laje de Santos pode estar com os dias contados. Das 12 empresas de mergulho contemplativo, que já operaram num dos mais famosos locais de observação da vida marinha, restam apenas três lanchas levando turistas ao local.


O mergulhador João Paulo Scola, que frequenta a laje desde 1985, alerta que as taxas cobradas pelo Instituto Florestal, que se tornaram dívidas para os operadores, desestimularam a atividade.


Devido à pandemia, os operadores não trabalharam nos últimos 2 verões, o que resultou na falência de várias empresas. Agora, os que restaram informam que sendo cobrados por taxas que deixaram de pagar nos dois anos que ficaram impedidos de trabalhar.


A Diretora do Parque organizou o Workshop "O mergulho Recreacional em áreas de proteção ambiental”, que gerou o documento Carta da Ilha Anchieta. Esta iniciativa foi primeiro passo, no Brasil, para a organização do turismo de mergulho em unidades de conservação.


Foram formados monitores subaquáticos. O Instituto Florestal fez o primeiro cadastramento de operadoras de mergulho. Em 2012, novas regras foram determinadas pela Fundação Florestal, que instituiu uma cobrança pela autorização de prestação desse serviço.


Mas os operadores reclamam que as taxas não resultaram em investimentos no parque, sendo que dispositivos de atracação e informações foram por eles mesmos instalados.


As operadoras continuaram transportando os visitantes; pagando os monitores ambientais e promovendo a educação ambiental. Também relatam à gestão da unidade de conservação possíveis atividades de caça e pesca e monitoram e manejam a invasão de espécies exóticas.


A extinção das operadoras de mergulho deixaria a Laje de Santos desprotegida. Os operadores consideram que só o efetivo e disponibilidade da Polícia Ambiental para fiscalização é insuficiente. A presença das operadoras inibe as práticas ilegais.


“O fim da atividade de mergulho numa área ímpar de nosso litoral, causará o risco de danos ambientais. Os monitores ambientais e os próprios visitantes ajudam na fiscalização e conscientização da importância da preservação. Com menos visitantes bem intencionados, a laje fica mais vulnerável”, alertou o mergulhador João Paulo Scola.


Diante destes alertas, oficiei à Fundação Florestal pedindo esclarecimentos e uma possível ajuda aos operadores de mergulho, uma vez que o turismo bem praticado gera empregos e ajuda a preservar a natureza.


O Parque Estadual Marinho da Laje de Santos foi criado em 27 de setembro de 1993 pelo Decreto Estadual 37537/93 e está demarcado pela Carta Náutica 1711, a partir da atualização de 2020.


A laje fica a 25 milhas náuticas da costa de Santos e tem 33 metros de altitude, 550 m de comprimento e 185 m de largura máxima. Dentro da área do parque é proibido capturar ou coletar qualquer organismo marinho ou terrestre; poluir, desembarcar e entrar na área portando armas ou outros instrumentos de pesca, caça e também praticar atividades prejudiciais à fauna e à flora.


As profundidades variam entre 6 a 45 metros, com visibilidade máxima de 30 metros nos melhores dias. A laje sofre influência de fortes correntes marinhas. O local é famoso pela concentração de vida marinha, principalmente pela presença das raias mantas.

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