Xixová-Japuí, patrimônio que precisa ser valorizado

Temos encravado na adensada Região Metropolitana da Baixada Santista, entre São Vicente e Praia Grande, o Parque Estadual Xixová-Japuí, um tesouro ambiental e paisagístico, desconhecido da maioria da população regional.


Criado em 1993, o parque tem 9 km² de exuberante Mata Atlântica e ainda abriga praias, costões rochosos e parceis, formando um ecossistema rico, que abriga muitas aves, répteis, mamíferos e uma importante vida marinha.


Só o fato de ali ter sido criado um parque ambiental já é uma grande conquista, uma vez que a pressão do mercado imobiliário é intensa nas cidades que cercam o Xixová-Japuí.


A existência do parque é fruto da luta de ambientalistas, da imprensa e de vizinhos. Já havia plano de um empreendimento nas praias de Itaquitanduva, chamado Praia das Pedras Brancas, que teria um impacto devastador naquele rico ecossistema.


Mas, agora, é preciso dar um passo adiante. Isso porque este patrimônio só pode ser defendido se for amado pela comunidade regional. E as pessoas não amam nem defendem o que não conhecem.


Daí a importância de a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, responsável por este e tantos parques importantes no Estado, criar um programa de visitação disciplinado, orientado e assim aumentar sua fiscalização.


Isso pra fazer frente aos abusos que têm ocorrido no Xixová-Japuí, principalmente aos finais de semana, quando centenas de pessoas vão à Praia de Itaquitanduva, e lá fazem fogo para churrascadas, deixam muito lixo e ameaçam o meio ambiente.


O problema tem sido denunciado por jovens ambientalistas e defensores do recanto, que chegam a fazer operações voluntárias de limpeza das praias após a passagem dos visitantes.


Como já existe um efetivo atuando a partir da guarita de acesso ao parque, na Avenida Tupiniquins, em São Vicente, a Secretaria de Meio Ambiente poderia organizar um roteiro, com horários fixos e limite de visitantes, para que o parque pudesse ser conhecido e amado pela população regional.


A pasta estadual sabe fazer este trabalho, que teria um cunho educacional e traria resultados, tanto de preservação ambiental como de criação de mais uma atração turística para a Baixada.


O Exército Brasileiro, que tem seu quartel de artilharia no complexo, já contribui ao manter preservadas suas imediações. No lado voltado para a Baía de São Vicente, na chamada Praia de Paranapuã, houve uma ocupação indígena, objeto de demanda judicial com o Instituto Florestal.


Mas nada impede que o trabalho de preservação e de educação ambiental seja realizado, conciliando todos os envolvidos pela causa maior da defesa do enorme patrimônio, ainda desconhecido, do Parque Xixová-Japuí.




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